O SEGURO: Uma história de 33 Séculos
A idéia do seguro como fator de
proteção diante das fatalidades da vida é muito antiga. Há muito tempo o
homem se preocupa em neutralizar os efeitos de um acontecimento que pode ocorrer
ou não. É muito comum se citar a esse respeito o exemplo dos cameleiros da
Babilônia, há treze séculos antes de Cristo. Um grupo de cem cameleiros saía,
indo de uma cidade a outra, mas tendo que atravessar o deserto.
Numa viagem dessas, que durava,
digamos, uma semana, perdiam-se, por exemplo, dez camelos. Ao chegar a seu
destino, os integrantes do grupo faziam uma "conta de restaurante" e
dividiam entre si os prejuízos, comprando novos camelos para os proprietários
daqueles que faleceram.
Na época, eles não tinham
conhecimento matemático para fazer uma previsão estatística do número de
acidentes. Além disso, nem havia a figura da seguradora, que se confundia com o
grupo de cameleiros. Contudo, eles eram ao mesmo tempo seguradores e seguradora.
A figura do prêmio, que é aquela contribuição que o segurado dá à
seguradora, não existia. O prêmio se confundia com a indenização.
A inexistência de companhias de
seguros na Antigüidade significava a ausência de uma empresa especializada em
gerenciar os riscos das outras pessoas. Neste passado distante, remediava-se os
sinistros depois que eles ocorriam, bem diferente do que é hoje, quando o prêmio
significa exatamente a prevenção de uma fatalidade através do pagamento
antecipado de uma pequena remuneração.
No século XII d. C., por exemplo,
apareceu o Contrato de Dinheiro e Risco Marítimo. Por força das suas cláusulas,
um financiador emprestava ao navegador o dinheiro correspondente ao valor da
embarcação e das mercadorias transportadas.
Se não houvesse acidente, o
navegador devolvia o dinheiro ao financiador acrescido de juros. Em caso de
acidente, o dinheiro não era devolvido. Durante muito tempo, a atividade
seguradora esteve vinculada a operações bancárias. As primeiras sociedades de
socorros mútuos, embrião das seguradoras de vida, surgiram por volta do século
XVII justamente pela iniciativa de um banqueiro, o italiano Tonti (daí o nome
dessas sociedades, as tontinas.)
E mesmo o primeiro contrato de
seguro, firmado em 1347, em Gênova, na Itália ainda não contava com a figura
da seguradora como gerente do risco.
O seguro só se estabeleceu nas
bases em que é conhecido atualmente na Inglaterra, durante a Revolução
Industrial, quando foram criadas as primeiras sociedades de seguros. A mais
significativa delas foi a Lloyd's. De uma taberna e um jornal (dedicados aos marítimos),
fundados em 1690, veio a surgir a mais tradicional companhia de seguros do mundo.
Os avanços de Pascal na Estatística, nesta época, também foram fundamentais
para a atividade seguradora decolar.
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